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LM, not tobacco

Pasta-expert *** Master na arrumação da caixa de sushi *** Doutoramento na cozinha do desenrrascanço *** Veggie Friendly *** Viciada em comer-fora e arruinar carteiras

25
Out21

Madam Bo Dumplings

LM

Não há nada nesta vida que me deixe mais entusiasmada como experimentar restaurantes novos, e ainda por cima se for para experimentar comida que não sei cozinhar, perfeito!

 

Já tinha passado os olhos por algumas fotos no Instagram da Madam Bo, onde se destacavam as várias cores dos dumplings e o próprio espaço, que faz lembrar uma ruela algures na Ásia que, apesar de nunca lá ter ido, reconheço dos filmes como o sitio de eleição para uma boa refeição à "local". Quando lá cheguei ao restaurante, que fica ali em pleno Príncipe Real onde sempre fui muito feliz, foi isto mesmo que confirmei: a sensação é que estamos na rua mesmo estando dentro do restaurante, nessa tal ruela no meio de uma infinidade de sítios para comer comida rápida e saborosa. As mesas e cadeiras estão lá, mas penso que o objetivo é mesmo comer e seguir viagem, não estamos num sítio para "fazer sala". É street food sem o ser, acho que nós Portugueses ainda não estamos preparados para comer sem sentar o rabo... Mas adoro o conceito!

 

 

Passámos os olhos também pelo menu, que é exatamente como se quer: simples, curto e "especializado". Dá-me gosto ver isto: um menu simples e focado no que se faz de melhor por ali: dumplings. Escolhemos, pois está claro, dois de cada sabor, por forma a experimentar todas as opções: vegan, frango, vaca, porco e camarão.

No fundo do restaurante estava uma placa que nos ajuda a identificar os dumplings pelas cores: rosa é o de porco, preto o de novilho, verde de legumes e tofu, amarelo o de frango e por fim o de camarão e coentros "sem cor". Clarooooo que Maria LM só viu a placa no final da refeição e ficou o jantar todo a tentar identificar os sabores de cada um, o que até se tornou positivo para não enganar o palato com o seu cérebro destruidor de expectativas (provavelmente teria torcido o nariz ao de porco... e foi o que mais gostei!). Resumindo a experiência de sabores: amei todos. O meu inesperado favorito foi o de porco e sichuan (e claro que vou jurar até à morte que o culpado é o Sichuan mesmo não sabendo o que isso é. Google: uma pimenta talvez?). O vegan, talvez tenha sido o menos favorito, mas note-se que era incrível como todos os outros seus pares. 

 

 

Todos os dumplings, seja qual fosse a variedade que colocava à boca, eram uma surpresa e uma experiência diferente: o frango, não era só frango nem só shitake, era "Ásia", um sabor maravilhoso que nos leva a viajar por sítios diferentes. Isto aplica-se a todas as "bases" que ali podemos pedir, sejam elas o frango, a vaca, o porco ou até mesmo os vegetais, estamos a provar algo que até podemos comer todos os dias, mas ao mesmo tempo são uma novidade quando cozinhados e condimentados de forma diferente da nossa cozinha típica. 

 

Para acompanhar pedimos uma salada de pepino e outra de coleslaw. A salada de pepino é muito condimentada, o meu esposo adorou e comeu-a praticamente toda, foi a salada coleslaw que me ganhou o coração: com os seus amendoins a dar aquele crocante e um molho não tão forte e mais equilibrado para o meu gosto. 

 

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Por fim, e enganem-se se acham que tínhamos mais espaço para sobremesa (20 dumplings para 2 pessoas é um exagero, mas quem nos mandou ser bestas hum?), experimentámos a mousse de matcha que estava DI-VI-NAL. Aquele crocante de sésamo é a cereja perfeita em cima deste "bolo", doce sem ser doce, uma cremosidade que não estava à espera. (Perdoem-me as fotos da sobremesa, mas entusiasmei-me, mandei-lhe uma colherada mesmo à besta antes de tirar foto e tentei remediar depois... não ficou nada decente!)

 

 

Resumindo e concluindo: adorei a experiência e hei de voltar a ver estes dumplings à minha frente! Vejo o meu regresso ao escritório com mais entusiasmo, a incluir o Madam Bo nos pedidos de almoço, e quem sabe quando lá passar por perto, voltar a sentar-me numa naquelas mesas altas para um almoço/lanche/jantar/snack rápido... 

Agradeço mais uma vez à Zomato pela sugestão de experiência!

 

 

Madam Bō Handmade Dumplings Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

11
Jan21

Bigchurras Delivery - novos hambúrgueres em Queluz

LM

Como já devem ter reparado, ando um pouco ausente por estes lados. Infelizmente, não ando com muita vontade nem inspiração para escrever. Mas nunca posso dizer que tenha sido por falta de novidades gastronómicas :D porque essas, não falham! Nem que seja pela busca intensa de novidades pela Uber Eats na minha zona.

Hoje tenho vontade de escrever, isto porque fui arrastada para vir ver "a bola" e não me apetece ver o jogo. Então cá vai, vamos lá meter algumas novidades em dia!

 

Há uns tempos atrás, nas minhas pesquisas ubereatianas, tinha reparado num novo restaurante, o Bigchurras Delivery que a única especialidade que serve são hambúrgueres... Quando vejo algo novo que não conheço, sigo logo para a trilogia de pesquisa: Zomato, Google e campo. Primeiro, nada no Zomato, nem um review. Google, nada. Pesquisa de campo: quando lá chegamos repararmos num cantinho pequenino, recentemente aberto ao lado do mercado de Queluz, só com uma mesa ao lado do balcão e duas cá fora de esplanada (que nesta altura, não convidam muito). Realmente, é um espaço físico pensado para take-away ou entrega em casa. Felizmente a mesa lá dentro estava vazia e nós decidimos experimentar ali no local. O menu é muito simples, mas o que já me tinha chamado a atenção nele é que nota-se que são combinações de ingredientes bem pensadas. E notam-se os pormenores como: "blend de carne de bovino", cebola caramelizada, hamburger de picanha... Isto é malta que sabe, não são hamburgueres congelados do Lidl (sim, já me aconteceu isto noutro espaço que felizmente já fechou).

Fomos super bem recebidos por um amável casal que é dono deste novo projeto, escolhemos os nossos hamburgueres da carta e já estava eu, desde que entrei, a desejar a coxinha de frango que estava na bancada. 

Pergunto: "Aquela coxinha tem Catupiry?"

Claro que tem! 

E digo-vos que saltou para o top das melhores coxinhas que comi. Adoro Catupiry e não é fácil de encontrar tão boas! E claro, é a dona do espaço que as faz além de esfihas, quibis e outros salgadinhos com óptimo aspecto.

Entretanto, depois de tanto elogio às coxinhas, a senhora explicou-nos a história daquele projeto. Este casal, já tinha um espaço dedicado exclusivamente a hambúrgueres na sua cidade natal brasileira. Quando vieram para Portugal, acabaram por ficar a trabalhar em restauração, acabaram por continuar a cozinhar as suas especialidades e perceberam que continuavam a ter sucesso por cá para arriscarem abrir o seu próprio negócio.

E nasceu o Bigchurras! (Fez então sentido na minha cabeça o porquê de me aparecer um Bigchurras no Brasil antes de encontrar o português, era mesmo deles!)

Quando os hamburgueres chegaram às mesa, não deu vontade de comer logo de tão bonitos que eram. Mas isso vocês conseguem ver aqui:

 

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A carne do meu hamburguer era de bovino e não se sentia uma ponta de gordura, estava no ponto e super saborosa. Agora, tudo o resto era pornográfico. Eu sou daquelas pessoas que só escolhe hambúrgueres quando têm cheddar, agora imaginem este que estava carregadinho... Divinal! Tinha molho barbecue e maionese, todos os molhos caseiros e muito bons. Só achei, a título pessoal, que tinha demasiado para mim, mas isso é algo que da próxima tenho de pedir para não colocar tanto molho para sentir melhor o sabor dos restantes ingredientes.

As batatas, apesar de congeladas eram de muito boa qualidade e o molho caseiro de maionese que as acompanham era mesmo delicioso, até rapámos a caixinha! 

Ainda tivemos oportunidade de falar com o dono, que claramente adora fazer isto! É ele que escolhe a carne, que as mistura, explicou nos a proporção que usa para dar sabor, os ingredientes que usa são escolhidos a dedo porque claramente têm muita experiência e sabem fazer isto a sério. Ficámos deliciados com a história e amor deles a este projeto.

Ficámos com pena do espaço não ter mesas, porque só com uma mesa, só dá mesmo para 4 pessoas lá dentro. E no verão vá, mais umas 4 pessoas cá fora. Com a qualidade que têm e um bom espaço, podiam estar sempre cheios. 

Mas vamos com certeza dar a volta à carta muitas mais vezes, seja pela Uber eats ou a ir lá buscar ao local (até é fácil encostar o carro para ir lá num instantinho).

 

 

Bigchurras Delivery Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

10
Nov20

SushiFashion Beloura

LM

Já tinha ouvido falar muitas vezes no SushiFashion na Beloura, mas por preguiça de ir parar a um sítio fora de mão, ia deixando passar a visita. Até que num dia com uma bela promoção de 50% na carta do The Fork, decidimos arrancar até lá, foi um belo incentivo! 

 

O restaurante está localizado dentro da Quinta da Beloura, super-chique-super-fashion. Lá percebi o porquê do nome, que de nada é a minha onda. O espaço fica meio escondido, é sempre bom ter o GPS nestas alturas da vida.

Quando chegámos ao restaurante, fomos sentados numa das mesas mais perto dos sushimans, o que normalmente eu até aprecio bastante, mas neste caso nem por isso. As duas mesas neste local em específico, pareciam um pouco "no meio da entrada", onde o staff tem várias mesas de preparação de encomendas para fora e também mesas com agendas e cheias de "coisas". O resto do espaço até pareceu ter uma decoração agradável (um pouco demasiado fashion para mim), mas devido à pandemia não achei prudente explorar, então fiquei com uma sensação estranha de não ter gostado do espaço.

Ainda me ri um bom bocado quando percebi que o canal que estava a passar na televisão era o (surpreendam-se): Fashion!

 

Mas falando do que interessa: começámos por um Hiramé (14€). Uma entrada fria composta por 12 peças de sashimi de salmão, atum e peixe branco com Ponzu trufado. Não fazia ideia do que era Ponzu, mas o trufado pareceu-me bem... Depois de um "google" percebi que é um molho à base de limão utilizado na cozinha japonesa, neste caso trufado, que acabou por dar um toque de "ceviche" ao sashimi. Estava uma maravilha! Logo aqui, deu para perceber a qualidade do corte e da frescura do peixe.

 

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Pedimos também dois combinados de 20 peças, um tradicional (20€) e um de fusão (22€).

Acho que vocês já me conhecem um bocadinho para perceber que adoro sushi tradicional, mas quando os sítios são bons, gosto de arriscar na fusão, porque quem sabe cozinhar japonês a sério sabe que não pode exagerar em molhos e molhengas. 

Não me desiludi! Pelo contrário. O combinado tinha cerca de 80% de peças tradicionais e lá havia uma ou outra de fusão, com aquele queijinho philadelphia que gosto tanto, ou com um ovo de codorniz por cima. As peças estavam todas muito bem feitas, o arroz com o Su super equilibrado, as algas saborosas e crocantes, o peixe todo incrívelmente bem cortado e fresco. Muito bom mesmo!

 

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Para sobremesa um petit gâteu com uma bola de gelado, só porque sou gulosa e apetecia-me algo doce. Fiquei arrependida de não ter pedido sashimi para sobremesa, como faço habitualmente... Mas também não fiquei insatisfeita!

 

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Provavelmente vamos voltar porque o espaço tem parceria com Zomato Pro (25% de desconto) e tudo o que provámos estava bom. Sem a parceria, não sei se o voltaríamos a fazer. Não por falta de qualidade, mas porque temos muitas alternativas igualmente boas, pelo mesmo preço ou mais em conta, mais perto de casa e não houve nada que se destacasse de forma a fazer-nos voltar (sem o desconto). 

 

PS: Já agora, se ainda não têm Zomato Pro para aproveitar estes descontos, têm 20% de desconto na subscrição com o código LMNOTT !

 

 

SushiFashion Beloura Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

09
Nov20

Mex Factory

LM

Bem malta, quem anda atento aos meus Insta Stories, sabe muito bem que falo a verdade quando assumo que consumimos demasiada comida mexicana, para duas pessoas normais.

Mas, como de normais temos pouco, claro que ficámos como duas crianças histéricas no dia de Natal quando fomos experimentar o Mex Factory pela primeira vez.

 

Como nota introdutória, posso dizer que sempre adorei ir ao LX Factory para "programinhas" de sair à noite. Já tenho muitas saudades de ir a um jantar com amigos, depois beber um copo num dos bares e quem sabe - já bastante fora de mim - entrar no Bosq (leia-se: BEM fora de mim e da lei de Deus, que eu já não tenho idade para essas coisas). Voltar ali, àquele espaço enorme onde fui tão feliz e onde podemos ter uma noite completa sem sair do mesmo sítio... o LX tem um ambiente incrível e difícil de descrever: onde o antigo conhece o novo, onde as paredes são obras de arte e as pessoas que lá passam, de todo o mundo.

Desta vez, fomos só para jantar, sem copos, sem noitadas... mas soube bem voltar. O Mex Factory está totalmente integrado neste conceito do LX Factory, meio fora da caixa, mas com muito estilo.

 

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Quando entrámos no restaurante, a primeira coisa que saltou à vista foi o ringue de boxe. Tivemos aquele "wtf?" inicial, que passou bem rápido mal nos começámos a lembrar "ahhh yaaaaaaa lucha libre mexicana!". As paredes estão forradas com as máscaras clássicas destes lutadores tradicionais do México e toda a decoração fez sentido (na minha cabeça lenta)! 

Decidimos reservar para uma quinta-feira porque gostamos de aproveitar as noites mais calmas dos restaurantes e, por incrível que pareça (para esta altura de pandemia e confinamento), estava bastante composto e super animado. Mas calma, digo isto como sendo um ambiente agradável e que nos trouxe segurança! O espaço é enorme, todas as mesas têm uma grande distância umas das outras e o local está sempre bem ventilado, não fossem a maioria dos espaços no LX Factory aqueles antigos armazéns gigantes, com as portas sempre escancaradas.

 

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Já na mesa, trouxeram-nos o QR code num cartão para podermos começar o primeiro round: escolher o que provar. Esta é a fase mais difícil, onde vamos avaliar os nossos concorrentes só pelo nome e decidir restringir a escolha a alguns pratos, quando queremos mesmo provar todos (suas bestas, eu sei). Mas decidimos seguir a opinião de quem melhor sabe (do staff) para nos ajudar nesta escolha, para entradas: Tostada de Salmon e Quesadilla (para além do Pico de Gallo e Guacamole com Totopos que já estávamos a provar como... vá, pré-entrada!). 

 

Vale meeeeeeesmo a pena pedir o Guacamole! É tão fresco, tão bem feito... Vale, vale!

 

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Esta tostada consiste numa tortilha crocante com um ceviche de salmão delicioso por cima. Para quem gosta de ceviches como eu: "até lambe as patinhas"! A mistura de romã, milho, lima e "sabe Deus mais o quê" com o salmão embebido em lima... Nossa! Estava muito bem equilibrado de sabor.

 

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As quesadillas, meus amigos, ganharam este combate mano-a-mano com o ceviche. Acharam que tinha adorado o anterior? Então "agora pensem"... Foi, sem dúvida alguma, das melhores quesadillas que comi na minha "vidinha cheia de comida mexicana no bucho"!

Vou-vos explicar porquê: a quesadilla estava recheada de cheddar (primeiro check - LM loves Cheddar), tinha carnitas al Pastor lá pelo meio (segundo check - bem recheada) e por último um estranho check... tinha duas coisas que eu habitualmente detesto: molho BBQ e ananás. Mas a combinação foi absolutamente perfeita! Ao ponto de eu amar algo que normalmente detesto. Incrível! 

 

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Passando para o próximo e último combate da noite na categoria de pesos pesados: Tacos contra Tacos. Estes são servidos em três unidades, mais uma vez por sugestão, fomos para os de Camarón e Bistek.

Os primeiros que atacámos foram os de camarão, não se assustem com o sinal de duas caveiras na intensidade do picante, porque tolera-se muito bem (para quem como eu, até gosta de picante muito moderado). As doses são muito generosas e os camarões bem gordinhos, o sabor da maionese de chili, com pepino, salsa, cebola e pimentos estava incrível. 

 

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Os Tacos de Bistek são compostos por pedaços de carne de novilho marinada, deitados numa camada de puré de feijão e um pimento padron frito "a cavalo". Além de estes pedaços estarem confecionados no ponto perfeito, estavam tenros e deliciosos. Os Tacos vêm sempre acompanhados de dois molhos: um de tomate e outro de picante, que aqui, só melhoravam a experiência de sabor.

 

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Declarei empate nesta luta de tacos e decidi terminar os combates por falta de comparência do juri (não conseguia mesmo provar mais nada de tão satisfeita que estava). Para terminar em grande, pedimos a mousse de Aguacate. Abacate com cobertura de chocolate e crumble de amendoim, já tinha comido mousse feita à base de abacate mas misturada com o chocolate, assim em camadas foi a primeira vez. Estava bastante equilibrada, sem ser demasiado doce e o crumble confere aquele crocante perfeito. 

 

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A bebida que me acompanhou a noite toda, sim, porque foram umas boas duas horas de combate intenso, foi um Mojito de Maracujá que estava divinal! Passei um verão inteiro a fazer mojitos, mas nada que se compare a um destes, feito por quem sabe.

 

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Bem malta, o que posso dizer como conclusão desta experiência?

A qualidade dos ingredientes e a dedicação na confecção dos pratos é notória no Mex Factory. É um restaurante mexicano caro? Não, mas também não é o mais barato (preço médio na Zomato para duas pessoas: 30€). Aqui, conseguimos entrar num espaço super agradável, com um ambiente incrível e experimentar pratos "a sério", pensados e cozinhados na perfeição. Todos os pratos que experimentámos, conseguimos identificar pequenos pormenores que faziam toda a diferença no equilíbrio dos sabores, que os faziam saltar da escala do bom, para o muito bom. 

Acho que a comparação que posso fazer, parva claro, é quando tomamos a decisão de ir ao sushi. Podemos optar pelo bom, que não é caro, mas pagamos um pouco mais para comer como deve de ser. Ou optamos pelo sushi-chinês, barato que dói, tira a barriga da miséria, mas peca pela qualidade mediana (para não dizer fraca). Em Lisboa, temos várias opções de Mexicano mediano-baratíssimo onde saímos felizes e tiramos a barriga da miséria mas... comer Mexicano a sério, é num sítio como o Mex Factory.

 

Vou voltar? Ora pois vou com certeza! Para já, porque fiquei a saber que todos os fins de semana o restaurante abre o piso superior (que nesta noite não estava aberto). Para os dias mais solarengos, abrem a esplanada exterior, onde costumam ter presença de umDJ para animar os serões.

Imaginei-me logo ao sol... com aquele mojito maravilhoso na mão e a enfardar um burrito <3 

 

 

 

Mex Factory Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

23
Out20

Roteiro Gastronómico nos Açores (São Miguel e Terceira)

LM

Para quem acompanha o meu Instagram, deve ter notado que fomos abençoados com uns dias de férias pelos Açores. Long story short, éramos para ter ido em Março, o Covid lixou tudo e, ia lixando tudo outra vez, mas acabámos por ter sorte aqui no meio antes de começar esta segunda fase.

Depois de dois testes negativos ao covid, lá fomos nós para a Terceira... À última hora mudaram-nos os voos com mega bónus: um dia inteiro em São Miguel com carro incluído! Uhhhh huuuuuuu!

 

Primeiro dia em São Miguel

Depois de corrermos os primeiros spots turísticos (lagoas, laguinhos e laguetas absurdamente lindos), as furnas deixaram-nos com uma fome do demónio por experimentar o clássico cozido, feito ali no meio daquele cheiro a peido (lamento, mas é mesmo a PEIDO).

Já várias pessoas tinham descrito o cozido e era sempre de uma destas duas formas: ou era nojento, ou era divinal.

Nós queríamos arriscar, então fomos por um dos restaurantes recomendados dentro do divinal (pois claro!)... Nada mais nada menos que no parque de campismo das Furnas (Restaurante Vale das Furnas).

 

Como somos lindos não fizemos reserva, mas pelos vistos é aconselhável, porque é raro haver disponível assim à maluca. Tivemos muita sorte e lá nos serviram. 

 

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Palavras de meu esposo: "Eu não posso dizer isto à minha mãe, mas este é o melhor cozido que comi na minha vida!"

Eu concordo com ele, é melhor não dizer. E não é que aquele cozido de peidinho era divinal? As couves desfaziam-se de tão tenras que estavam... As carnes, nem precisavam de faca. Os enchidos... Oh meu Deus os enchidos!!! Ao início resmunguei que não tinha farinheira (o meu enchido favorito) mas acreditem, não fez falta nenhuma ao lado daqueles chouriços e morcelas demoníacas de tão boas que eram. Quando voltarmos lá, que vamos voltar, prometemos reservar antes!

 

2º ao 4º dia, já na Ilha Terceira:

A Terceira é linda. Tudo é lindo, não há comparação entre ilhas. 

 

Apesar de não ser um restaurante, tenho de recomendar uma paragem na queijaria Vaquinha. Ofereceram-nos um pratinho com todos os queijos lá produzidos: tradicional, picante, o "ilha Terceira" e o "tipo Ilha". Claro que saímos de lá com queijo suficiente para sermos parados no aeroporto por excesso de peso (ou mesmo por tráfico)...

Não me consigo recordar dos preços, mas por 17€ trouxemos 5 pedaços grandinhos do "ilha" que era o mais curado, os outros ainda ficavam mais em conta!

 

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Um dos restaurantes que nos recomendaram mais vezes nesta ilha foi o Ti Choa. Quando lá fomos, ao final de um dia de passeio, não tínhamos reserva e fomos recambiados dali para fora. Estava totalmente lotado (o espaço não é grande) e nós pensámos que isso não aconteceria numa aldeia "longe" da cidade. Burros!

Claro que voltámos no dia seguinte, porque tinha de valer a pena um sítio tão bem falado e ainda por cima, era provavelmente ao mesmo tempo o local mais remoto e com maior acumulação de gente na ilha.

 

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Já com reserva feita, ao final do dia, lá chegámos depois de uma bica na associação do lado. Seguimos a recomendação do staff em pedir uma degustação, composta por várias iguarias tradicionais da ilha. Como segundo prato, pedimos uma costeleta de vaca.

 

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Tudo estava divinal, a sensação que dá é que estamos na cozinha da nossa avó Terceirense a comer aqueles pratos mesmo clássicos que ela cozinhou a vida inteira. Muito genuínos, muito saborosos.

O doce de vinagre é um must have! E o xiripiti no final (licor de Nêveda), também!

 

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O que mais gostámos aqui, não desfazendo a comida, foi o atendimento. Estávamos em casa, conhecemos melhor os empregados, conversámos sobre de tudo um pouco, deram nos dicas da ilha, rimos muito... saímos de lá felizes e com a certeza que queremos lá voltar. O preço? 38€ pelos dois, com bebidas, sobremesas e cafés. Inacreditável!

 

 

No dia anterior a este jantar que acabei de vos descrever, tivemos de trocar as voltas (depois de batermos com o nariz no "não temos reserva"), acabámos então por antecipar a visita à outra recomendação que tinhamos na manga: o Caneta.

Lá fomos até ao restaurante (tudo ali é perto, tendo em conta que se dá a volta à ilha em 90km), onde nos esperava uma sala imensa e super imponente, totalmente o oposto do primeiro espaço. Uma garrafeira muito bem composta, uma sala que mais parecia feita para casamentos e batizados.

 

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Há sempre a opção de ir ao bar, fica por baixo do restaurante, onde servem refeições mais leves, mas nós queríamos mesmo refeições "à séria".

Lá depois de muita ponderação nas entradas porque o principal já estava decidido, convenci o esposo a pedir um carpaccio MARAVILHOSO de carne Angus maturada, também um queijo fresco e salsichas caseiras (esqueçam lá o nome salsicha, nada a ver, para mim é mais parecido com um chouriço pequenino delicioso).

 

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É de salientar que me recomendaram este espaço porque a carne servida é de criação própria da casa, e isso notou-se logo.

Para prato principal, já rotulado como o melhor da ilha: Alcatra Tradicional.

O alguidar de barro (e não pote de ferro, como inicialmente escrevi porque sou burra) onde são cozinhados pequenos pedaços de Alcatra, acompanhado com um pão doce também tradicional.

 

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Devo confessar que não foi um prato que me deixasse em modo "uau". A carne desfazia-se, o molho era óptimo ao estilo de ensopado... Mas acho que tem a ver com o meu gosto pessoal, prefiro a carnicha grelhada e mal passada. Da próxima, porque sim, vale mesmo a pena a próxima, peço um belo bife à regional e aposto que saio de lá a chorar de felicidade, porque a qualidade da carne, é das melhores que já comi.

O doce que pedimos, não é de todo a minha praia: um pudim de queijo da ilha com ananás caramelizado. Acho que esta noite não correu tão bem porque arrisquei muito no "quero comer o tradicional" ao invés de seguir o meu gosto. Mas não me arrependo nem um segundo!

 

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A refeição ficou por cerca de 44€ pelos dois, valeu a pena. Um carpaccio semelhante em Lisboa era mais caro que este jantar todo!

 

 

No último dia, ficámos pelo centro de Angra do Heroísmo, onde estávamos hospedados. Fomos ao restaurante que me chamou a atenção logo no primeiro dia: a Tasca das Tias.

O espaço é muito mais moderno, super bem decorado... Uma garrafeira invejável e um ambiente agradável com jazz de fundo.

 

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Pedimos um bife de atum braseado e um filet mignon, escolhendo assim dois pratos com produtos locais. Primeiro veio o atum, estupidamente no ponto e sem dúvida, o melhor bife de atum que comi na vida. As batatas doces passadas em manteiga - perfeitas! - acompanhadas com uma salada deliciosa e saborosa, a equilibrar o "pesado" do restante prato.

 

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Depois vem o filet mignon, já com dificuldade em achar que algo vai superar o atum... E empata. Eu não consigo descrever de outra forma: uma carne tenra, com sabor, perfeita. Cozinhada no ponto perfeito, acompanhada com as batatas "à tias" (fritas mas depois salteadas em manteiga açoreana com cebola) que me levaram ao céu.

 

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Eu escrevo isto com o maior gosto e lembrança deste jantar. Há poucos sítios em Lisboa onde possa comer tão bem sem sair de lá em falência financeira.

Quase que me esquecia das sobremesas! Comemos um clássico Dona Amélia, bolo (à base de farinha de milho e especiarias) muito típico da ilha e ainda um leite creme (só porque sim).

 

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Este, foi sem dúvida um dos melhores jantares da minha vida. Não, não é das férias. É da VIDA. Tudo, mas tudo estava perfeito. Não há um "a batata estava mais ou menos" ou podia ter menos sal. Era tudo tudo tudo perfeito. E o mais incrível, é que não foi caro. Pagámos 55€ pelos pratos mais bebidas, sobremesas e cafés. Não é um tasco, é comida a sério!

 

Se há recomendação que vos deixo, é irem a todos. Se puderem ir só a um na Terceira, esta tasca arrebatou o meu coração (ou melhor, o meu estômago). 

 

 

No último dia, tivemos tempo de almoçar em Ponta Delgada depois de uma visita rápida à cidade, na ilha de São Miguel.

Fomos até ao Restaurante Casa de Pasto o Avião, decorado com azulejos dos aviões da SATA nas paredes. Um espaço mais clássico, modesto, cheio de adolescentes saídos da escola ao lado.

Pedimos dois bifes à regional, o meu pai não me perdoaria se falhasse esta iguaria das ilhas. Parece um mero bitoque, mas não. É um bife bem condimentado, penso que com pimentão vermelho mas sem certezas de que truque ali se pratica, a carne (lá estou eu em modo disco riscado) era tão, mas tão tenro, que se desfazia na boca. O bife é cozinhado em Manteiga dos Açores, o que lhe confere um sabor ainda melhor. Eu quero voltar para a ilha! 

 

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Espero vos ter deixado umas boas dicas gastronómicas para as vossas futuras visitas aos Açores. Que também espero que sejam em breve, será muito bom sinal para todos.

Nós estamos rendidos às ilhas, queremos voltar e conhecer as outras... Não só pela beleza natural mas também porque foi, sem dúvida, da melhor comidinha que já passou nestes estreitos.

Uma das formas que descrevi aos amigos e família a qualidade de tudo o que comemos foi: "entres tu num restaurante ou num tasco, pedes um bife e vai ser o melhor bife do mundo."

Nos Açores, conseguimos ter a prova mais viva do mundo que a forma como tratamos os animais influência em pleno a qualidade do produto: seja ele carne ou derivados. É uma diferença escandalosa! Os animais vivem livres, felizes (como dizem os anúncios), com muito espaço e em comunhão com a natureza. 

 

Fico por aqui, também houve muito petisco pelo meio mas não quero tornar este post demasiado enfadonho e gigantesco. 

Se tiverem sugestões de restaurantes para conhecermos nas próximas ilhas, deixem por favor a vossa dica nos comentários

 

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